domingo, 25 de julho de 2010

O Bloco de Torres Vedras Convida: Festa de Verão 2010 @ Santa Cruz


A Festa de Verão assinala o fim de um ciclo marcado pela apresentação em Torres Vedras de diversas iniciativas e o início de um novo ciclo com a eleição da Concelhia de Torres Vedras do Bloco de Esquerda, em Outubro de 2010. A partir desse momento o Bloco de Esquerda será em Torres Vedras uma nova força política activa e atenta aos problemas do concelho e das suas populações.

O programa da Festa de Verão do Bloco de Torres Vedras conta com:

  • Voz Rebelde [Poesia e Percussão]
    Grupo constituído por jovens de Torres Vedras, cujo espetáculo tem como característica o uso da palavra poética (spokenword) com conteúdos sociais e políticos, onde a energia dos ritmos e a irreverência juvenil se juntam numa actuação que invoca a liberdade, a justiça e uma humanidade reconciliada com a Terra.
  • Intervenção de Alex Gomes [Marcha Global da Marijuana] http://www.mgmlisboa.org/
    Não sendo inócua, a canábis é certamente uma das drogas conhecidas mais seguras. Os riscos do seu consumo são mínimos, principalmente quando comparada com outras substâncias largamente consumidas e aceites pela lei e pela sociedade. Mesmo considerando o seu consumo prejudicial, tal não é razão para a ilegalização da substância e respectiva penalização dos consumidores. É uma questão de direitos humanos.As pessoas devem ter o direito de optar consciente e informadamente por consumir, mesmo que isso não seja benéfico para elas. Consumir ou não, deve ser uma escolha pessoal e não uma imposição legal. A proibição NÃO é do interesse público. Põe em risco a saúde dos cidadãos, fomentando o mercado negro e a adulteração dos produtos.
  • M.A.D. [Concerto] http://www.myspace.com/madlx
    Punk / Hardcore / Rock Desde 1992 a espalhar o terror pelos palcos de Portugal. Discografia: Compilação Varejo 7" vinil (1996), Caos em Portugal (compilação CD 1997), Split CD w/ D.F.C. (2005).
  • Médio [Dj Drum n’Bass]
    Para terminar a Festa com boas vibrações...

Tudo isto a partir das 21h00
Apareçam e tragam amigos!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

"Falar verdade sobre medicamentos" - a resposta do nosso deputado João Semedo ao deputado Socialista Rui Prudêncio.

Em resposta ao deputado (municipal e nacional) socialista Rui Prudêncio, o nosso deputado João Semedo escreve:

Os cidadãos que necessitam de medicamentos sabem que o deputado Rui Prudêncio não tem razão no que escreveu neste jornal. O seu artigo tem demasiadas meias verdades e imprecisões. Por exemplo, é verdade que cerca de 1500 medicamentos baixaram de preço. Mas, por que razão não diz Rui Prudêncio que cerca de 6000 aumentaram de preço?
Quantas vezes já aconteceu os leitores preferirem um genérico em vez de um medicamento marca e não poderem adquiri-lo, porque o médico assinalou na receita “não autorizo o fornecimento de um medicamento genérico”? E quantas vezes acharam a conta da farmácia demasiado cara, sabendo que poderiam ter gasto menos, se o médico tivesse prescrito um medicamento genérico, que é igual ao de marca, com a mesma substância, mas mais barato?
Esta é a realidade que os nossos governantes – e também Rui Prudêncio, querem ocultar.
E se, como refere o deputado Rui Prudêncio, todas as propostas apresentadas pelo Bloco de Esquerda, na Assembleia da República, já estavam contempladas na nova legislação, porque votaram contra todas elas os deputados do PS? Porque, na realidade, as medidas apresentadas pelo Bloco iriam repor uma situação de maior justiça social e garantir o direito de acesso aos medicamentos por parte de todos os cidadãos, em detrimento dos interesses das farmácias e das grandes multinacionais farmacêuticas, que este Governo e o Ministério da Saúde têm optado por privilegiar. Ao votar contra o PS deitou fora uma poupança de 300 milhões de euros que, em tempo de crise, tanta falta fazem às contas públicas.
Nos últimos anos, temos assistido, na área do medicamento, a uma política irracional, com medidas avulsas e desintegradas, que ignoram a realidade do sector em Portugal, agravando, por um lado, a factura que os cidadãos pagam pelos medicamentos que necessitam e pondo em risco, por outro lado, a sustentabilidade do financiamento público de medicamentos.
Com o objectivo de contrariar esta tendência, o Bloco de Esquerda apresentou recentemente, na Assembleia da República, seis Projectos de Lei.
Para atingir uma quota significativa de medicamentos genéricos, semelhante à de outros países europeus (50%-60%), o Bloco propôs: 1) a obrigatoriedade da prescrição por substância activa (Denominação Comum Internacional) e 2) a possibilidade de o utente optar, quando assim o entenda, por um genérico, podendo assim pagar menos pelo mesmo tratamento. Quem escolhe o que compra deve ser quem paga os medicamentos, ouvindo o conselho do farmacêutico e do médico. Não há outra forma de permitir que quem tem pouco dinheiro possa comprar os medicamentos de que precisa.
Por outro lado, para proteger os utentes das recentes alterações decretadas pelo Governo, o Bloco propôs 3) o aumento dos escalões de comparticipação, para os níveis que vigoraram até 2006, isto é, 100%, 70%, 40% e 20% (em vez dos actuais 95%, 69%, 37% e 15%) e o alargamento do regime especial de comparticipação aos desempregados, beneficiários do rendimento social de inserção, e seus cônjuges e filhos menores, desde que sejam dependentes. Actualmente este regime especial abrange apenas os pensionistas de rendimentos mais baixos.
Para além disso, o Bloco propôs também que os beneficiários do regime especial voltassem a poder usufruir da comparticipação a 100% para todos os medicamentos genéricos comparticipados. Desde meados de Junho, que esta gratuitidade se limita apenas aos 5 medicamentos mais baratos em cada grupo, ao contrário do que já vinha acontecendo há sensivelmente um ano. Aquilo que o deputado Rui Prudêncio, através de um subtil jogo de palavras, sugere como um novo benefício traduz-se, na realidade, por uma diminuição da ajuda do Estado aos mais desfavorecidos.
A nível hospitalar, o Bloco propôs, pela primeira vez, a fixação de um regime de preços máximos para os medicamentos hospitalares, a fim de evitar que continuemos a pagar por estes medicamentos muito mais do que noutros países europeus. Há vários casos flagrantes de medicamentos com diferenças na ordem das várias dezenas a centenas de euros, comparativamente com Espanha ou França.
Por último, o Bloco propôs também a dispensa gratuita pelos hospitais de medicamentos para os primeiros dias de tratamento após um internamento ou uma cirurgia de ambulatório num hospital público. Poupando na margem dos armazenistas e das farmácias e conseguindo um preço melhor, através da negociação directa com as empresas farmacêuticas, o Estado gastaria menos com os mesmos medicamentos. Por seu lado, os utentes veriam assim assegurada a medicação para os primeiros dias de tratamento, normalmente os mais dispendiosos, sem precisarem de irem a correr a uma farmácia, assim que saem do hospital. Esta última proposta do Bloco foi a única aprovada na generalidade, no passado dia 1 de Julho. E mesmo esta com o voto contra do PS.
O partido do Governo perdeu, assim, a oportunidade de viabilizar diversas medidas que, não sendo uma panaceia para as dificuldades com que o SNS actualmente se debate, seriam certamente um contributo importante para concretizar os objectivos que presidiram à criação do SNS e para a poupança de muitos milhões de euros tanto para o estado como para os cidadãos.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O Bloco de Torres Vedras marca novamente presença na agenda política local.

Na Sexta-feira dia 9 de Julho de 2010 o Bloco de Esquerda de Torres Vedras realizou mais uma iniciativa local com o objectivo de reforçar a sua presença no concelho.
A conversa de café com Mariana Mortágua (PEC for Dummies) permitiu desmontar uma série de conceitos associados à situação económica actual e outros tantos fundamentos para os planos de austeridade que têm vindo a ser implementados pelos governos no poder um pouco por toda a Europa. Serviu ainda para dar a conhecer aos presentes algumas das propostas do Bloco para ultrapassar a crise.
O Bloco de Esquerda de Torres Vedras agradece a disponibilidade e a colaboração do Gil que, mais uma vez, acolheu no seu bar uma iniciativa do núcleo torriense do Bloco de Esquerda.
Mais uma iniciativa que nos enche de orgulho e que nos permite dizer que o Bloco em Torres Vedras está a ganhar força e a consolidar a sua presença na agenda política local.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Bloco Torres Vedras apresenta: PEC for Dummies - com Mariana Mortágua


Vamos desmontar o PEC. Vamos acabar com todas as dúvidas sobre o Plano de Extorsão do Contribuinte... perdão... Plano de Estabilidade e Crescimento.

O Bloco de Esquerda de Torres Vedras convida a economista Mariana Mortágua para uma informal conversa de café em que vamos desmontar e analisar (da forma mais descontraída possivel) o Plano de Austeridade do Governo para os próximos anos, que nos vai afectar a todos.

Imagine que precisa de pagar 15 mil euros de uma dívida qualquer … todos os anos, após o que recebe de ordenado e/ou outros rendimentos ….. Na verdade, as dívidas que acumulou nos últimos vinte anos ascendem a um montante de 145 mil euros. Acha que resolve o problema se cortar 35 euros por mês (420 euros/ano) na mesada do puto? Imagine então qual seria o objectivo de uma família responsável: reduzir as despesas para eliminar o saldo negativo de 15 mil euros e viver dentro dos seus rendimentos ou, ao invés, estabelecer como meta passar a perder apenas 4950 Euros em cada ano e ficar contente da vida?

Agora experimente acrescentar seis zeros à equação: de 15 mil euros, passemos para 15 mil milhões, o valor do défice em 2009 (9.3% do PIB). De 145 mil euros, para 145 mil milhões (o valor da dívida pública acumulada - cerca de 87% do PIB e a aumentar). De 420 euros, para 420 milhões - o valor estimado da "poupança" prevista com as alterações ao IRS propostas no quadro do PEC. E de 4950 Euros, imagine a grande meta de 3% do PIB para o défice: uns belos 4,950 milhões de euros/ano.


Sexta-feira, 9 de Julho de 2010, 21h30
Bar do Gil (Antiga mercearia Prata) Rua da Cruz 11, Torres Vedras

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Campanha de Juventude do Bloco de Esquerda em Torres Vedras

Durante o mês de Julho o Bloco de Esquerda de Torres Vedras irá desenvolver um conjunto de iniciativas destinadas à Juventude, com o objectivo de aproximar os temas políticos e sociais da actualidade a formas de comunicação mais apelativas para os jovens.

No dia de 1 de Julho apresentámos a peça de teatro "Boom & Bang", no Bar do Gil, cujo enredo consistiu em desmontar a crise actual, explicando-a de forma bem-disposta, apesar de o assunto em questão não ter graça nenhuma. A versão portuguesa é da autoria do grupo teatral Visões Úteis, sediado no Porto, que adaptou o texto à realidade nacional. Após a apresentação teatral contámos ainda com um debate bastante interessante sobre o estado actual da economia, com a presença de três dos nossos deputados (Pedro Filipe Soares, José Soeiro e Catarina Martins). (fotografias em http://www.flickr.com/photos/alexandrecardana/sets/72157624421679432)

Na próxima Sexta-feira, dia 9 de Julho, pelas 21h, Bar do Gil (Antiga Mercearia Prata, no cento histórico), haverá uma sessão intitulada PEC for Dummies com a economista Mariana Mortágua. Num ambiente de grande informalidade e proximidade, usando uma linguagem acessível a toda a população e exemplos muito concretos, Mariana Mortágua responderá a todas as dúvidas colocadas pelas pessoas presentes no que diz respeito ao PEC - Programa de Estabilidade e Crescimento do governo.

A Festa de Verão terá lugar em Santa Cruz, no Santa Bar, Sexta-Feira dia 30 de Julho. Para além do jantar-convívio entre aderentes e simpatizantes do Bloco de Esquerda, haverá dois concertos e uma intervenção política sobre temática relacionada com a Juventude.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Núcleo de Torres Vedras apresentou "Boom & Bang"

"Isto não é uma peça de teatro. É uma história. Não pretende ser uma peça de teatro. Só pretende ser uma história. E que história! O dia em que parecia que o capitalismo estava para acabar. Onde é que estavam a 15 de Setembro de 2008? Lembram-se? Chegaram sequer a reparar? O capitalismo deixou de funcionar durante quatro dias, mais ou menos. E agora estamos a tentar perceber o que é que aconteceu."

Assim começou "Boom & Bang", peça adaptada do "The Power of Yes" do dramaturgo inglês David Hare, que a pedido do National Theatre de Londres a escreveu. A peça conseguiu desmontar a crise actual, explicando-a de forma bem-disposta, apesar de o assunto em questão não ter graça nenhuma. A versão portuguesa é da autoria do grupo teatral Visões Úteis, sediado no Porto, que adaptou o texto à realidade nacional.

Contámos ainda com um debate bastante interessante no final da peça sobre o estado actual da economia, com a presença de três dos nossos deputados (Pedro Filipe Soares, José Soeiro e Catarina Martins), aos quais agradecemos a sua presença, que nos ajudou a desmistificar algumas meias-verdades e completas-mentiras que a o Governo e a Direita nos impingem de forma diária.

Um grande obrigado ao Gil por ter disponibilizado o seu espaço!

Não percam a oportunidade de ver esta obra! Os nossos camaradas de Sintra a Oeiras vão acolhê-la ainda hoje e amanhã:

  • Dia 2 Julho (6ª) às 22h no espaço da Sociedade de Instrução Musical de Porto Salvo - Oeiras
  • Dia 3 Julho (Sáb.) às 22h na sala 2 do antigo cinema Floresta Center - Sintra

domingo, 27 de junho de 2010

Recolha de Assinaturas na Feira de São Pedro

Como anunciado anteriormente, marcámos hoje presença na Feira de São Pedro, recolhendo assinaturas a favor da petição pela requalificação e modernização da Linha do Oeste.
Esta foi a terceira vez que nos organizámos neste sentido, sendo também a segunda vez que o nosso deputado Heitor de Sousa nos fez companhia, demonstrando todo o seu apoio a esta causa.
Como se tem tornado habitual nestas recolhas de assinaturas, fomos imensamente bem recebidos por toda a população, a quem agradecemos a colaboração. Todo o apoio que recebemos só vem legitimar o nosso esforço. Acreditamos nesta petição e vamos continuar a defendê-la, na esperança que a Assembleia da República venha num futuro próximo dar continuidade devida à mesma.
Entretanto não deixe de contribuir online caso ainda não o tenha feito no papel. Pode fazê-lo através do seguinte endereço:
http://www.petitiononline.com/plo1001/petition.html

sábado, 26 de junho de 2010

Feira de São Pedro - recolha de assinaturas com o deputado Heitor de Sousa

No Domingo, dia 27 de Junho de 2010 a partir das 16h30m, o Bloco de Esquerda de Torres Vedras estará na Feira de São Pedro para, pela 3ª vez nesta cidade, recolher de assinaturas para a Petição pela Requalificação e Modernização da Infra-Estrutura e pela introdução de um Serviço Ferroviário de qualidade na Linha do Oeste.
O deputado do Bloco de Esquerda, Heitor de Sousa, estará presente nesta iniciativa.

Teatro "Boom & Bang" em Torres Vedras

 
Quinta-feira, 1 de Julho de 2010
22:00 - 23:30
Bar do Gil (Antiga mercearia Prata) Rua da Cruz 11, Torres Vedras

Este é um espectáculo “portátil” em que vamos rir (para não chorar) com a crise financeira que abalou o mundo e que ainda mexe com o quotidiano de todos.

Boom & Bang
a partir de "The Power of Yes" de David Hare

“Isto é uma nova espécie de socialismo. É o socialismo para os ricos. Para os outros está tudo na mesma. Só para os bancos é que há socialismo. O resto do pessoal continua tão à rasca como dantes. E é nesta altura que começamos a sentir uma certa sensação de injustiça, ou não é?”

Dramaturgia e Direcção - Ana Vitorino e Carlos Costa
Banda Sonora original e Sonoplastia - João Martins
Interpretação - Ana Vitorino, Carlos Costa e Pedro Carreira
Projecto Fotográfico - Paulo Pimenta
Coordenação Técnica e Operação - Luis Ribeiro
Produção Executiva - Joana Neto
Assistência de Produção - Helena Madeira
Design Gráfico - EntropiaDesign a partir de imagem de Ricardo Lafuente
Produção - Visões Úteis
Duração aproximada - 50 minutos

Classificação Etária - M12

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Revista Festa entrevistou Francisco Louçã em Torres Vedras

A Revista Festa entrevistou Francisco Louçã aquando da sua passagem por Torres Vedras, no passado dia 19 de Maio. Esta mesma entrevista estará disponível em formato de papel na edição deste mês da referida publicação, e online no seu site em www.revistafesta.com.

Foto de José Pimenta
FESTA - Quem é Francisco Louçã?
FRANCISCO LOUÇÃ - Sou natural de Lisboa e nasci em Novembro de 1956. Sou economista e professor catedrático no Instituto Superior de Economia e Gestão.
Mas acho que os leitores já me conhecerão, para o bem e para o mal...

FESTA - Como começou a sua ligação à política?
F. L. - Participei na luta contra a ditadura e contra a guerra colonial, no movimento estudantil dos anos setenta. Estava na capela do Rato quando, em Dezembro de 1972, um grupo de jovens se reuniu, em vigília pela paz e contra a guerra colonial e acabei por ser preso, com outros companheiros, e levado para Caxias.
Em 1973 aderi à Liga Comunista Internacionalista, e em 1974 passei a integrar a sua direcção.

FESTA - Que levou à criação do PSR?
F. L. - Em Outubro de 1978 foi constituído o Partido Socialista Revolucionário (PSR). Era uma nova força com que queríamos ampliar a convocação da Esquerda.
Desde o início, o PSR optou por marcar a diferença relativamente à forma tradicional da actuação política.
Nos anos 80 a esquerda vivia uma situação muito desesperada, com as maiorias de direita de Cavaco Silva, e havia que encontrar canais alternativos que saíssem da política tradicional e permitissem uma ligação à sociedade. Foi por isso que a sua preocupação dominante foi cooperar com activistas independentes e criadores culturais.
Em 1991 o PSR ficou a cerca de 200 votos de eleger um deputado por Lisboa, ao obter 65 mil votos, e alcançou o lugar de sexto partido nacional e o terceiro nos partidos de esquerda.

FESTA - Porquê, agora, o Bloco de Esquerda?
F. L. - O Bloco nasceu em 1999 com uma ideia de procurar criar, no fim de um ciclo político, uma nova resposta que fizesse crescer algo de novo na esquerda em Portugal.
Tinha-se fechado o ciclo politico do 25 de Abril e abria-se uma nova era para uma nova Esquerda, na fase da globalização, o que exigia novas formas de organização política.
O partido nasceu da participação da UDP, PSR e Política XXI, tendo havido várias aproximações anteriores, como no processo do primeiro referendo da IVG, mas sobretudo beneficiou da participação de muitos activistas independentes que queriam uma nova força política na esquerda.
Partilhávamos uma certa ideia de Socialismo com liberdade de opinião, de imprensa e de organização social e sindical, oposta portanto à experiência da URSS ou da China. Entre os fundadores existiam afinidades sobre a leitura que fazíamos da globalização capitalista, que nos permitiram estabelecer uma determinada estratégia socialista comum. Elaborámos o manifesto "Começar de Novo" em que assumíamos o compromisso de construção de um novo movimento capaz de se constituir como alternativa na política nacional.
Logo em 1999, as eleições europeias e a campanha contra a intervenção da NATO na Bósnia, testaram a nova organização política. Nas eleições legislativas, o Bloco elegeu dois deputados por Lisboa e obteve mais de 132 mil votos.

FESTA - Como é liderar um partido onde existem várias correntes ideológicas?
F. L. - Desde a sua formação o Bloco afirmou-se como uma nova força política que reconhece e promove a liberdade de opinião e o pluralismo.
O Bloco tem uma organização interna democrática baseada na representação dos aderentes. Isso permitiu a adesão de muitos milhares de novos militantes.

FESTA - Como encara os resultados eleitorais do Bloco de Esquerda nas últimas legislativas?
F. L. - Os principais objectivos do Bloco foram conseguidos: foi o partido que mais cresceu eleitoralmente, e com este crescimento conseguimos derrotar o absolutismo de Sócrates. Nestas eleições a esquerda saiu reforçada, está mais forte e representada, e para além do seu crescimento parlamentar, o Bloco passou a ter eleitos em muitos distritos onde a esquerda não estava representada, como Leiria, Coimbra, Aveiro e Faro.
Os resultados mostram que o Bloco cresceu, tem mais implantação, porque afirmou uma alternativa socialista na confrontação com o governo e o poder económico. Julgo que essas eleições começaram a mudar a política do país.

FESTA - Qual é, na realidade, a força do Bloco de Esquerda?
F. L. - A força do Bloco de Esquerda é a força das suas propostas e da sua acção social nos movimentos que mudam o país. É com essa força que queremos construir uma força dirigente na esquerda e no país, para afirmar a alternativa socialista.

FESTA - Aprofundando um pouco mais a questão política, e tendo em conta a conjuntura actual, na sua opinião, o que é que foi feito pelo Governo (este ou outro) para nos levar a esta crise?
F. L. - Todas as medidas do governo conduzem a uma nova recessão. E são injustas: a prioridade do acordo Sócrates - Passos Coelho é a redução do subsídio de desemprego, mas no dia seguinte o governo renova as garantias para o sistema financeiro. Corta aos desempregados e beneficia a banca. É assim a política do governo e do PSD.

FESTA - Pensa que a situação do nosso país é realmente muito complicada ao nível económico? Estamos perto dos problemas gregos?
F. L. - Encaro a situação económica do país com uma profunda preocupação, tendo em conta o colapso do desemprego que atinge novos níveis históricos a cada mês que passa. As medidas que o PS e PSD estão a negociar agravam esta crise recessiva com a responsabilidade social do bloco central.
Portugal está sob o mesmo ataque especulativo que atinge a Grécia, sob ameaça de um Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), que ameaça os rendimentos do trabalho, que reduz salários e aumenta as dificuldades económicas para os mais pobres e desprotegidos. É necessário, e urgente, a reorientação da economia portuguesa e a promoção de uma política europeia contra a especulação.

FESTA - O que é que foi feito e não devia, ou o que é que se devia ter feito e não o foi?
F. L. - Era possível, e necessário, reduzir aquilo que é excessivo e que é um abuso contra a justiça fiscal, para utilizar os recursos necessários nos salários dos mais pobres e nas pensões mais degradadas.
É nisso que tem de fazer diferença uma política orçamental séria. Era responsabilidade do Governo ter reduzido as despesas inúteis e extravagantes, como os 189 milhões de euros gastos em consultorias pedidas a escritórios de advogados, que podiam ter sido feitas pelos organismos do Estado, os 1000 milhões de euros gastos na compra de submarinos, ou os 1000 milhões de euros em subsídios fiscais para o off-shore da Madeira.
O Governo tem dois pesos e duas medidas: rejeita esse princípio elementar da justiça fiscal que é fazer com que quem ganha muito pague mais e que quem ganhe menos pague menos, por isso não aumenta os impostos sobre prémios atribuídos a administradores, por exemplo. Esse princípio da justiça é a resposta da esquerda, do BE, a este desastre orçamental que o Governo já começou a por em prática.

FESTA - O Governo avançou com uma série de medidas para combater a crise. O que pensa destas medidas?
São suficientes, resolvem alguma coisa, ou pelo contrário, existem outras medidas que resolveriam a situação a curto prazo, sem influenciar tanto a vida do cidadão comum?
F. L. - O PEC apresentado pelo Governo irá traduzir-se na ruína económica e numa tragédia social para o país, por isso só pode ter a rejeição do Bloco.
Apresentei um projecto alternativo de política fiscal e económica, que demonstra que se pode proteger os salários, criar emprego e aumentar a justiça fiscal, para mais e melhor qualidade de vida das populações, o que o PEC não contempla. Demonstrámos que é possível cortar muito mais na despesa no ano de 2010, tendo como objectivo imediato reduzir o défice já este ano em valores muito superiores ao previsto pelo Governo e promover simultaneamente uma política de recuperação para a criação de emprego.
Essas medidas de corte no desperdício e de justiça fiscal tornam o Estado mais responsável e mais fiável, e dão-lhe capacidade para políticas de investimento e de gastos sociais que respondem à recessão.
Defendemos o abandono da política de privatizações do Governo, que é prejudicial e desastrosa do ponto de vista económico. Em termos de redução dos juros da dívida pública em 2011, o Estado obterá com este programa de privatizações cerca de 50 milhões de euros.
Em contrapartida, medidas mais sensatas permitiriam ao Estado obter um encaixe financeiro de 1000 milhões de euros com a venda dos submarinos, mais de 750 milhões com a aplicação de uma taxa sobre o off-shore da Madeira e 1000 a 2000 milhões com outros off-shores. Com a introdução de medidas como taxação sobre as mais-valias bolsistas e o corte nos benefícios, deduções e taxas especiais e liberatórias o Estado teria uma recuperação de cerca de 600 milhões de euros.
Como forma de reanimar a Economia, o Bloco defende que o investimento público deve ser reorientado para a criação de um programa de reabilitação urbana. Essa é uma prioridade que relançaria o emprego e a actividade económica, e que melhoraria a vida das pessoas.

FESTA - Qual a sua opinião sobre as recentes movimentações do Bloco de Esquerda em Torres Vedras e em outros locais do país?
F. L. - É muito importante a criação do núcleo do Bloco em Torres Vedras e está com uma grande dinâmica, juntando muitas pessoas que não aceitam ficar de braços cruzados perante a crise nacional.
Apelo intensamente a quem quer uma esquerda de confiança para que se junte a este núcleo, trazendo a sua experiência, opinião e convicção.